BCE mantém juros em 2,25% e sinaliza possibilidade de alta em setembro
O BCE manteve a taxa de depósito em 2,25% após a desaceleração da inflação em junho, mas alertou que a crise energética no Oriente Médio pode levar a um novo aumento em setembro.

O Banco Central Europeu (BCE), liderado por Christine Lagarde, decidiu em 23 de julho manter sua taxa de juros-chave, a taxa de depósito, inalterada em 2,25%, após elevá-la em 25 pontos básicos em junho. As outras duas taxas-chave também foram mantidas: a taxa de operações principais de refinanciamento (MRO) em 2,40% e a taxa de empréstimos marginais (MLF) em 2,65%.
Inflação em desaceleração
A pausa ocorre após a inflação da zona do euro cair 0,4 ponto percentual em junho, para 2,8%, frente a 3,2% em maio — a primeira queda do ano. Esse dado deu ao Conselho de Governo do BCE espaço para manter as taxas estáveis nesta reunião, após o aumento do mês anterior.
A sombra do Oriente Médio
No entanto, a instituição sediada em Frankfurt não descartou novos aumentos. Em seu comunicado, o BCE alertou que “a incerteza persiste” devido à crise energética decorrente da guerra no Oriente Médio, com o petróleo Brent se aproximando de US$ 100 por barril. Esse fator mantém aberta a possibilidade de outro aumento em setembro, uma hipótese já precificada pelos mercados.
Um objetivo distante
O cenário base do BCE prevê que a inflação não retornará à meta de 2% antes do final de 2027 se o conflito geopolítico na região continuar pressionando os preços da energia. Enquanto isso, o consenso do mercado coloca o pico deste ciclo de aperto monetário entre 2,5% e 3%, um intervalo que dependerá em grande medida da evolução das tensões no Oriente Médio nas próximas semanas.
A decisão desta quinta-feira reflete o delicado equilíbrio do BCE: por um lado, a desaceleração dos preços na zona do euro convida à cautela; por outro, os riscos energéticos externos obrigam a manter todas as opções em aberto para o outono.
Fontes: Infobae.