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Ollanta Humala é libertado após TC anular sua condenação

O ex-presidente peruano Ollanta Humala recuperou a liberdade após 15 meses preso, depois que o Tribunal Constitucional anulou sua condenação de 15 anos por lavagem de dinheiro.

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Ollanta Humala após recuperar sua liberdade e sair do presídio de Barbadillo

O ex-presidente peruano Ollanta Humala recuperou a liberdade na tarde de sexta-feira, 31 de julho de 2026, depois que o Tribunal Constitucional (TC) anulou a condenação de 15 anos de prisão que pesava sobre ele pelo crime de lavagem de dinheiro agravado. O ex-chefe de Estado deixou o presídio de Barbadillo, em Cusco, por ordem expressa do Poder Judiciário, pondo fim a 15 meses de reclusão que marcaram um dos episódios mais comentados da política peruana recente.

Uma condenação que desmorona no TC

A sentença que Humala cumpria estava vinculada ao suposto financiamento irregular de suas duas campanhas presidenciais, a de 2006 e a de 2011, nas quais a promotoria sustentava que o partido Nacionalista havia recebido aportes de origem ilícita provenientes da Venezuela e do Brasil. O caso, instruído em grande parte pela Equipe Especial Lava Jato, resultou em abril de 2025 em uma sentença de 15 anos de prisão tanto para Humala quanto para sua esposa, Nadine Heredia. Desde então, o ex-presidente permaneceu preso em Barbadillo, o mesmo presídio onde já havia passado um período em prisão preventiva entre 2017 e 2018.

O TC, no entanto, determinou que existiram irregularidades substanciais no processo e decidiu anular a condenação, o que obrigou o sistema judicial a determinar a liberação imediata do ex-presidente. A resolução reabre um debate que acompanha o caso desde sua origem: até que ponto a atuação dos promotores e juízes respeitou as garantias do devido processo.

”Fui sequestrado pelo Estado”

Ao sair da prisão, Humala não poupou qualificativos para descrever o vivido. “Eu, minha família e o Partido Nacionalista fomos vítimas de uma perseguição política e judicial. Em 15 de abril do ano passado, 2025, fui sequestrado pelo Estado, e depois os sicários do sistema de justiça que estavam no momento regularizaram uma situação ilegal”, declarou o ex-presidente diante da imprensa que o esperava às portas do presídio.

O ex-presidente negou de forma categórica ter recebido aportes ilegais da Venezuela ou do Brasil para financiar suas campanhas e insistiu que nunca cometeu crime algum. Segundo sua versão, o processo judicial não apenas o afetou, mas desencadeou uma cadeia de consequências sobre seu ambiente familiar mais próximo: sua esposa, Nadine Heredia, viu-se obrigada a solicitar asilo político, enquanto seus filhos tiveram de sair do país como resultado direto das pressões derivadas do caso.

O retorno a Surco e as críticas ao Ministério Público

Já em sua residência no distrito limeño de Surco, Humala retomou seus questionamentos contra os promotores que conduziram a investigação. Qualificou a Equipe Especial Lava Jato como “o braço armado” do Ministério Público, em uma crítica direta ao que considera um uso político da perseguição penal contra dirigentes da oposição. O ex-presidente adiantou ainda que não deixará passar por alto o que considere novas irregularidades judiciais e que continuará enfrentando pela via legal qualquer ação que considere arbitrária.

Humala foi enfático ao exigir um gesto de reparação por parte do Estado: demandou que sejam oferecidas desculpas públicas tanto à sua família quanto ao Partido Nacionalista, a agremiação que fundou e com a qual chegou à presidência do Peru em 2011, após uma campanha que o levou a vencer no segundo turno.

Efeitos sobre o caso de Nadine Heredia

A resolução do TC não apenas repercute na situação pessoal de Humala, mas abre uma janela jurídica para sua esposa. O advogado de Nadine Heredia solicitou formalmente que os efeitos da sentença do Tribunal Constitucional — que anulou a condenação do ex-presidente — se estendam também a ela, na medida em que ambos foram sentenciados no mesmo processo e sob os mesmos fundamentos jurídicos. Se prosperar esse pedido, Heredia, que atualmente se encontra fora do país sob a condição de asilada, poderá ver modificada sua situação processual.

Um caso que marcou uma era judicial

O processo contra Humala e Heredia converteu-se, ao longo de quase uma década, em um dos símbolos da luta anticorrupção impulsionada após a eclosão do escândalo Lava Jato na região. A instrução do caso, as prisões preventivas sucessivas e finalmente a condenação de 2025 alimentaram um intenso debate público sobre os limites entre a perseguição penal legítima e o que setores próximos ao ex-presidente denunciaram como uma utilização política da justiça.

O que vem agora

Com a liberdade de Humala já efetiva, os próximos passos apontam para duas frentes. Por um lado, o próprio ex-presidente assinalou que avaliará ações legais adicionais contra quem considera responsável pelo que chama de perseguição injusta. Por outro, a solicitação apresentada pela defesa de Nadine Heredia para estender os efeitos da resolução do TC deverá ser resolvida pelas instâncias competentes, em um processo que previsivelmente manterá o casal Humala-Heredia no centro do debate político e judicial peruano nas próximas semanas.